Advocacia Especializada em Execução Penal Legalidade no Cumprimento da pena

O Direito ao Cumprimento Justo da Pena

A emissão da sentença condenatória penal não encerra a prestação jurisdicional do Estado; ao contrário, ela inaugura uma das fases mais complexas e dinâmicas do ordenamento jurídico: a Execução Penal. Se o processo de conhecimento serve para discutir a culpa ou a inocência, a execução serve para balizar a legalidade da punição. É neste cenário que a máxima constitucional da dignidade da pessoa humana é posta à prova diariamente, exigindo uma fiscalização técnica rigorosa para que o apenado não cumpra nem um dia a mais do que o estipulado pela lei.

A engrenagem que move a Execução Penal no Brasil é pautada pelo princípio da progressividade. Isso significa que o cumprimento da pena não é estático. O indivíduo ingressa no sistema e, à medida que cumpre as frações de tempo exigidas pela lei (requisito objetivo) e demonstra bom comportamento carcerário (requisito subjetivo), conquista o direito de progredir para regimes menos gravosos — do fechado para o semiaberto, e deste para o aberto — até alcançar o livramento condicional.

Contudo, a matemática da execução é sensível e sofre interferências constantes. O principal fator de modificação é a remição de pena, um direito que permite a abreviação do tempo de reclusão por meio do trabalho, do estudo ou da leitura. Pela legislação vigente, a cada três dias de trabalho ou doze horas de frequência escolar, um dia é abatido do montante total da condenação.

O grande gargalo do sistema prisional reside na burocracia estatal para homologar esses dados. Muitas vezes, as certidões de dias trabalhados ou estudados demoram meses para serem computadas no atestado de pena (o documento oficial que prevê as datas de saída). Quando esse cálculo não é atualizado em tempo hábil, ocorre o chamado excesso de execução, transformando uma prisão que era legal em um ato de nítida ilegalidade por omissão do Estado.

Fiscalizar a Execução Penal, portanto, não se confunde com a busca pela impunidade. Trata-se do exercício de garantir a exatidão da justiça: o indivíduo deve pagar sua dívida com a sociedade estritamente nos termos em que foi condenado. O acompanhamento minucioso de cada cálculo, fração e comportamento é a única ferramenta capaz de assegurar que o retorno do cidadão ao convívio social ocorra no momento exato determinado pela legislação.

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